24 agosto, 2009

Arte Mesopotâmica: Segundo Milênio

Arquitetura

As construções de templos de plantas inovadoras não se realizam sobre zigurates. Os templos que se conhece melhor são os de Tell Harmal, no reino de Eshnuma, este templo mantém a tradicional planta retangular e herdeiro da tradição sumeriana, é o templo principal, constituído de uma entrada monumental, vestíbulo, pátio, ante-santuário e santuário. E o de Asur foi construído pelo mais destacado representante do antigo reino assírio, Shanshiadad I (1813-1781 a.C.). Nele, pode-se apreciar a continuidade da arquitetura acadiana, desde Tell Brak, por exemplo, com sua concepção central do espaço, reflexo de uma forma de entender e expressar o poder.
A construção mais importante da época é o palácio de Zimrilin, rei de Mari, atualmente localizada na Síria. Este palácio é o melhor exemplo da arquitetura civil da época. O palácio é constituído de um complexo conjunto de dependências, dispostas ao redor de um pátio central. Ali se alojavam o arquivo, uma escola de escribas, os depósitos de víveres, a residência do monarca e as áreas administrativas. Trata-se de um extraordinário exemplo do funcionamento de uma corte mesopotâmica, apesar de sua posição excêntrica, da primeira metade do segundo milênio.




Com a conservação de algumas pinturas murais, cabe destacar a chamada Investidura de Zimrilin. Ao mesmo passo que revelam a dependência da glíptica em relação à pintura, os afrescos de Mari confirmam a posição intermediária que essa cidade, entre a Mesopotâmia e a Costa mediterrânea, ocupa ao adotar formas de expressão tipicamente levantinas, ao mesmo tempo em que serve de foco de irradiação da cultura mesopotâmica para a Síria e o Mediterrâneo Oriental.
Entre Mari (Síria, atualmente) e Ugarit, localiza-se o reino de Yamkhad (Alalakh), cujo monarca é Yarimlim, sogro e protetor de Zimrilin. Seu palácio é de grande originalidade, pois sua posição é horizontal em relação à entrada, com trinta metros de extensão e uma largura de mais de cem. O templo que era constituído de vários pavimentos, liga-se a ala residencial. Todo o conjunto estava decorado com pinturas murais e revela tanto em sua estrutura como em sua forma de construção, influências anatólicas e egéias. A originalidade síria é mantida no palácio de Niqmepa, rei de Alalakh, vassalo de Miteni, em meados do século XV a.C.

Escultura


Pelos estudos feitos, nenhum pesquisador duvida de que a obra-prima do período seja a Estela de Hamurábi (abaixo), em cuja parte superior está representado o próprio rei babilônio diante do deus Shamash, enquanto no inferior está o texto do Código Legal, que fez de Hamurábi um dos mais afamados monarcas mesopotâmicos.





















Ressalta-se também, a preocupação pela representação da tridimensionalidade, que começa a ser resolvida mediante a colocação de perfil de alguns elementos, como as tiaras ou os cornos, como pode ser observado, também nas pinturas murais do palácio de Mari.
A região da Síria ofereceu poucos bronzes, deliciosas peças de artesanato de Ugarit e Alalakh. Trata-se de representações de deuses sedestres, ou guerreiros de ressaibo egípcio, que expressam com nitidez a geografia de suas relações comerciais. Quanto às representações de monarcas, conserva-se o retrato de um príncipe, talvez Yarimlim, de clara influência babilônica e uma estatua sedestre de Idrimi, que tem profundas raízes na própria tradição da Síria.

A SEGUNDA METADE DO SEGUNDO MILÊNIO

O marco em que se desenvolve a arte dessa segunda metade do milênio é exercido pela rivalidade, já não entre pequenas cidades-estados, mas entre as grandes potências imperiais, Egito e Hatti, que requerem o controle do comércio que se realiza entre a Mesopotâmia e o Mediterrâneo e ao longo de todo o corredor sírio-palestino. Toda essa região viverá sob um equilíbrio instável, enquanto na Mesopotâmia as constantes alterações parece haver cessado, pela sólida implantação da dinastia Cassita na Babilônia e o lento processo formativo do império Assírio.

A Babilônia cassita


Os invasores cassitas, que haviam caído sobre a Babilônia após o aniquilamento de Mursil I, conseguem implantar a dinastia mais duradoura de toda a história mesopotâmica.
Os cassitas deram impulso considerável ao conhecimento científico e estimularam a atividade literária. A redução dos investimentos em construçoes de grande porte não torna os cassitas uma dinastia miserável. A longa duração daquela dinastia pode ser, precisamente, sintoma do bem-estar geral alcançado em sua época. Isto não quer dizer que os cassitas houvessem dado as costas à arte, os restos de edifícios e esculturas testemunham o oposto.
O templo de Inana, em Uruk, construído pelo rei Karaindash, tem seu ponto de partida em uma arquitetura com inovações programáticas, como pode ser visto numa espécie de corredor em torno da parte externa do santuário. Sendo assim, o mais admirável neste templo são os frisos decorados com figuras de deuses em alto-relevo sobre os tijolos moldados, que formam a parte externa da parede. Existindo assim, uma plena integração entre a arquitetura e a escultura decorativa. Essa forma de enriquecer as paredes visíveis, construídas com simples tijolos, é uma constante nas construções monumentais mesopotâmicas até a época persa.
Dentre os progressos arquitetônicos, cabe aos cassitas a construção das primeiras cúpulas sobre pendentes e o emprego estritamente estético dos arcos e abóbadas em semicírculo.
Quanto ao relevo, os melhores exemplares são proporcionados pelas estelas. Os cassitas desenvolvem um tipo de Estela, denominado Kudurru, utilizado para delimitar o domínio territorial. A linguagem simbólica dessas notações de propriedade é completamente nova na arte mesopotâmica e representa a mais genuína fonte cassita. Os cassitas assumem a cultura mesopotâmica e viveram na Babilônia durante mais de 400 anos.

O império hitita

Os hititas são um povo indo-europeu instalado na Anatólia pouco depois de 2000 a.C. Após ficarem um longo período organizados de forma tribal, constituíram um Estado, o Antigo Reino Hitita, por volta de 1650 a.C. Esse reino sobreviveu 200 anos, até ficar desaparecido pelo poderoso Império Mitani, perto de 1450 a.C. a recuperação de Hatti deu-se durante o reinado de Subiluliuma I (1380-1336 a.C.), que estendeu os limites do seu império até o interior da Síria. Com esta expansão, gerou-se um grande confronto com o Egito, que só terminou com a batalha de Kadesh, entre Muwatali e Ramsés II e após o tratado de paz, feito entre o próprio faraó e o sucessor de Muwatali, Hatusil III. Cerca de 1200 a.C., o império hitita desapareceu e sua capital, Hattusa, atualmente situada na Turquia, foi arrasada.
O poder hitita se cristaliza num exército forte e bem armado, que garante o cumprimento dos acordos internacionais, mediante os quais o império Hatti conseguiu estabelecer num sistema de reinos-satélites, que não somente contribuem para a sua segurança, como servem de centros abastecedores dos recursos de que a Anatólia necessita. Seu sistema é tão consistente, que não precisam exibir seu poder por meio da arte.

As poderosas muralhas de Hattusa e de outras cidades importantes, nos dão uma idéia aproximada do poder do rei de Hatti, com seu duplo sistema defensivo, suas poternas e os ferozes leões de pedra, que protegem, ameaçadores, as portas de entrada.
A arquitetura religiosa, estrutura-se a partir de um edifício central, ao redor do qual existem espaços abertos, por seu turno delimitado por outras construções, como muros ou armazéns.
O palácio real compõe-se de um amálgama de aposentos e espaços abertos. Com um pátio central, dependências reservadas à produção artesanal e a atividades culturais, armazéns, arquivos e áreas residenciais. O denominador comum de toda a arquitetura hitita é a solidez dos alicerces e o menor cuidado com o aspecto externo das paredes. O trabalho da pedra é muito mais difícil do que o com adobe, é a causa de a aparência desta arquitetura ser diametralmente oposta à da arquitetura mesopotâmica, com efeito, aproxima-se muito mais da de Ugarit e inclusive, da micênica.
As esculturas, distinguem-se entre a de volume redondo e o relevo. A escultura de volume redondo é escassa e não mantém relação com as produções escultóricas precedentes na própria Anatólia.
Quanto ao relevo, sua persistência é extraordinária. Os temas são, quase sempre, sistemáticas representações dos deuses, divindades antropomorfas, realçadas por se acharem pousadas sobre o dorso de leões, simbolizando o domínio sobre a natureza e sobre as crenças primitivas, que consiste em poderes divinos a seres tirados da própria natureza.

O IMPÉRIO MÉDIO-ASSÍRIO


As jazidas arquitetônicas meso-assírias não são abundantes, do que se conserva com nitidez, que não existe diferença entre a arquitetura assíria e a babilônica. Os assírios também foram construtores de zigurates, praticamente idênticos aos dos sumérios, lembrando das escadarias, que não ficam tão destacadas, o que torna o acesso mais difícil. A conjunção de um templo e um zigurate não é nova, mas põe em evidência que os assírios dependiam das criações arquitetônicas do sul mesopotâmico.
A arquitetura palaciana também respeita o passado, até que Adadninari I (1307-1275 a.C.) decide remodelar completamente o antigo palácio de Asur, dando-lhe uma disposição menos compacta e mais voltada para a satisfação de aspirações estéticas.
Da escultura, pode-se dizer pouca coisa, pois os exemplares conservados são escassos. A peça mais notável é o pedestal de Tukultininurta, em que aparece representado o próprio rei.
A arte assíria, nessa mesma época, proporciona outras formas de expressão. Uma novidade é constituída pelo tijolo virado, que alcançará sua fama nas artes neobabilônica e persa. Por outro lado, o palácio de Tukultininurta conservou alguns restos de pintura, nos quais surgem palmeiras, árvores da vida, grifos, etc...
Afirma-se que os traços mais característicos da arte assíria posterior foram tomando forma a partir do século XIII a.C., durante o Império Médio-Assírio.


O levante

A escultura destacou-se em Ugarit, por sua expressividade. Dando como exemplo, a Estela em que Baal aparece representado, conservada no Museu do Louvre, em Paris, ou no sarcófago de Ahiram, de Biblos, famoso por sua inscrição alfabética. Contudo, a maior perícia pode ser observada no entalhe do marfim, onde se conjugam as tendências egéias e egípcias.
Partindo de Ugarit, a técnica se estende para outras cidades, porém os mais hábeis herdeiros da arte ugarítica do marfim serão os próprios fenícios do primeiro milênio.


Deusa de Ugarit. Marfim. 13 cm de altura. Século XIII a.C. Museu do
Louvre, Paris.


Num túmulo do porto de Ugarit, encontrou-se esta tampa de uma caixa, em que aparece representada uma deusa da fecundidade. Um artista local reproduziu uma deusa de estilo Egeu, quanto à saia e à cabeça, portando espigas em ambas as mãos, para cada uma das quais empina-se uma cabra, manifestação de vitalidade. A composição da cena não é egéia, mas Mesopotâmica, expressão fidedigna do caráter sincrético da arte ugarítica.

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